: Um guia para escolher caixas acústicas

11/09/2007,
Artigo publica na Revista Home Theater
Ricardo Marques


Se na hora de escolher a tela, é preciso muito cuidado, a mesma regra vale para as caixas acústicas. De nada adianta investir alto na tela grande, no receiver e no gravador de DVD, por exemplo, se as caixas do sistema não conseguirem traduzir toda a performance desses equipamentos com um som agradável e envolvente.
Para isso, existe uma ampla variedade de modelos, de diferentes tipos, tamanhos, preços e acabamentos. Mais do que uma questão estética, cada um deles foi projetado para um tipo de ambiente e necessidade. A seguir, apresentamos os principais tipos de caixas acústicas, num guia que vai ajudá-lo a tomar a melhor decisão.

Caixas satélites

São as menores dentro do segmento das compactas – atingem, no máximo, 25cm de altura. Discretas e com visual moderno, figuram entre as preferidas dos arquitetos e decoradores, já que pouco interferem na estética do ambiente. Geralmente feitas de resina plástica, tornam-se uma boa opção para salas pequenas (de até 15m2) e costumam ser vendidas separadamente, em conjuntos ou até acompanhando os sistemas integrados de home theater.
Com ampla variedade de formatos e cores, as satélites ainda são imbatíveis nas opções de posicionamento. Podem ficar apoiadas em móveis, racks e pedestais, ou fixas na parede com a ajuda de suportes. Na parte frontal do ambiente, recomenda-se que fiquem a cerca de 1m do piso, aproximadamente a altura dos ouvidos dos espectadores quando sentados. A central precisa estar alinhada com o centro da tela e exatamente no meio das duas frontais, que devem estar separadas por uma distância de cerca de 2m. Recomenda-se ainda que o canal central esteja logo acima ou abaixo do TV (posição mais comum e ideal para sistemas com projetor).
Na parte de trás da sala, a dica é manter as caixas a cerca de 1m80 do piso, se forem usados suportes de parede, ou um pouco mais baixas e distantes do sofá, se erguidas em pedestais. Você pode acomodá-las nas laterais (apontadas uma para a outra), no fundo da sala (direcionadas para a parede da frente), ou ainda nos dois locais (sistemas 6.1 ou 7.1 canais).
As satélites precisam de um subwoofer para complementar seu trabalho na reprodução das baixas freqüências. Procure acomodá-lo próximo aos canais frontais, para uma melhor integração de todo o conjunto.
Podem ficar apoiadas em pedestais (melhor opção para elevar a performance das bookshelf e obter um som mais natural e livre de vibrações), no móvel ou em racks. Independente da escolha, procure deixá-las livres de obstáculos que possam atrapalhar a propagação do áudio. E cuidado para não sufocá-las dentro de um nicho da estante, já que é necessário deixar alguns centímetros em redor da caixa para garantir uma boa dispersão sonora.

Caixas Bookshelf

Com relação à construção, as caixas bookshelf são geralmente de duas ou três vias (com falantes específicos para a reprodução de todas as faixas de freqüências – graves, médios e agudos) e, em geral, trazem gabinetes de madeira. A qualidade e os preços variam muito. Há desde modelos produzidos com a mesma excelência de materiais e projeto das melhores caixas torre até outros de nível mais modesto e valor idem.
Aqui, o uso de um bom subwoofer também é indispensável, para uma boa reprodução das freqüências mais baixas dos filmes de ação. Quanto ao posicionamento, continuam valendo as mesmas recomendações das satélites.
Algumas caixas surround do tipo bookshelf diferenciam-se por apresentar dois conjuntos idênticos de alto-falantes em lados opostos do gabinete. Nas do tipo dipolar, os cones dos falantes de cada conjunto se movem em direções contrárias (um conjunto para frente e outro para trás), tornando o áudio mais difuso. Essa característica é ideal para um bom envolvimento sonoro, desde que as dipolares estejam acomodadas nas laterais do ambiente. Nas bipolares, geralmente instaladas na parte posterior da sala, os dois conjuntos de alto-falantes movimentam-se na mesma direção, o que amplia o campo sonoro.

Caixas Torre

Essa categoria costuma concentrar os modelos topo-de-linha dos principais fabricantes e geralmente apresenta caixas de custo mais elevado. Indicadas para salas a partir de 25m2, admitem elevada potência (150W, em média). A altura também é generosa e varia bastante: alguns modelos medem 80cm, já outros ultrapassam 1m.
Em geral, são de duas ou três vias (há ainda as de duas vias e meia, quase sempre com três falantes, que não são totalmente dedicados à reprodução de faixas exclusivas de freqüências, como agudos, médios e graves). Podem ainda apresentar mais falantes do que vias – certas caixas direcionam determinadas faixas de freqüência, como os graves, para dois woofers, por exemplo.
As caixas torre mais sofisticadas utilizam materiais especiais para a fabricação dos cones, domos e ímãs dos alto-falantes, divisores de freqüências produzidos com componentes de primeira linha – e baixo nível de tolerância a desvios em suas especificações – e gabinetes super-reforçados. Isso faz com que apresentem um desempenho extremamente realista, tanto na reprodução de música como de filmes. Para isso, precisam ser conectadas a um receiver ou sistema modular de nível similar.
Procure posicionar as caixas de grande porte diretamente no piso, fora do móvel (para evitar vibrações e garantir a melhor performance) e remova obstáculos que possam interferir na dispersão sonora. Normalmente usadas apenas nos canais frontais, as torres precisam de uma distância considerável entre si (cerca de 2m a 2m50, dependendo do tamanho do ambiente e da posição do ouvinte) para a criação de um bom palco sonoro (aquela sensação de estar diante do palco numa sala de espetáculos) na frente da platéia. Mantenha ainda um certo espaço em relação às paredes laterais, para que os graves não se tornem exagerados ou abafados.
Dependendo da capacidade de responder aos graves mais baixos, as caixas torre podem até dispensar o uso do subwoofer – alguns modelos já trazem até seu próprio sub embutido. Por outro lado, contar com um bom subwoofer para ver filmes de ação vai reforçar ainda mais as cenas de impacto.

Caixas de embutir

Encontrados com facilidade nos ambientes de home theater, esses modelos proporcionam uma significativa economia de espaço e são os preferidos dos arquitetos e decoradores. Geralmente instaladas nas sancas de gesso, as caixas de embutir recebem o título de campeãs da discrição e deixam a sala mais leve, dispensando o uso de suportes e pedestais.
Na maioria das salas, são utilizadas nos canais surround, o que também acaba beneficiando o layout dos ambientes compactos. Posicionadas no teto, as caixas de embutir não impedem que se encoste o sofá na parede posterior do ambiente, ampliando ao máximo a distância entre o espectador e a tela. São ainda muito indicadas para residências com cães e crianças pequenas, onde o uso de pedestais pode colocar as caixas surround em perigo.
Quem acha que o uso dos modelos de embutir fica restrito aos canais surround, está enganado. Buscando atender àqueles que também desejavam adotar esse tipo de solução na parte frontal do sistema, surgiram as caixas motorizadas de teto e com tweeter pivotante (móvel).
Mas como isso é possível, se a recomendação é manter as caixas frontais e central há cerca de 1m do piso? É que, nos dois casos, os falantes são direcionados para os espectadores, amenizando a sensação do som ser reproduzido a partir do teto. As motorizadas ficam ocultas no teto e só aparecem quando o filme começa, projetando o áudio diretamente para a platéia. Já nos modelos com tweeter pivotante é esse falante que se desloca, podendo ser direcionado manualmente para os usuários.
Os melhores modelos de embutir trazem alto-falantes de mesmo tamanho daqueles utilizados nas caixas bookshelf, o que pode garantir um rendimento melhor quando comparado ao das satélites. A potência admissível gira em torno de 100W.

Entenda as especificações

Número de vias x número de falantes
Nem sempre caminham juntos. Nas caixas de duas vias (a maioria), por exemplo, os sons vindos do receiver ou do amplificador são divididos em duas metades: uma contendo os agudos e parte dos médios, que vai para o tweeter; e a outra, com as freqüências médias restantes e os graves, que é direcionada para o woofer. Nas caixas de três vias, a divisão é feita em três partes: os agudos vão para o tweeter, os médios para o midrange e os graves para o woofer. Em algumas caixas, uma determinada faixa de freqüências, como os graves, por exemplo, pode ser enviada não para um, mas para dois woofers. Assim, apesar de ter três alto-falantes – o tweeter e dois woofers – elas continuam sendo de duas vias. O número de vias ou de alto-falantes não é garantia de melhor ou pior desempenho. Isso irá depender de vários fatores, como o projeto geral da caixa e a qualidade dos alto-falantes.

Potência

Deve ser a mesma (ou, pelo menos, semelhante) à liberada pelo amplificador ou receiver em cada canal do sistema. Quando isso não acontece, as caixas podem ser danificadas, principalmente os tweeters. Esses falantes são sensíveis às distorções provocadas pelo aumento do volume de um receiver que não tem condições de acompanhar a potência das caixas.

Sensibilidade

Medida em dB, mostra como cada caixa capta e consegue reproduzir os sinais. Quanto maior a sensibilidade, maior será a capacidade da caixa aproveitar a potência do amplificador/receiver, ou seja, de gerar maior pressão sonora ou volume. Exemplo: uma caixa com sensibilidade de 87dB requer o uso de um receiver com o dobro da potência que seria necessária para que uma caixa com sensibilidade de 90dB atingisse o mesmo nível de volume.

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